sexta-feira, 13 de novembro de 2020

MUSEU DAS REDUÇÕES - O DIA DO RECOMEÇO

 13/11/2020.

O dia do recomeço.

Que Deus derrame suas bênçãos sobre o novo Museu das Reduções para que ele possa seguir, firme, o seu destino de educar nossos jovens e de encantar a todos.
Amém.


Aos amigos Beto e Tereza Vilhena, desejamos pleno sucesso na nova empreitada e que nosso querido e amado Museu das Reduções, guardião da cultura das Minas Gerais, retome o seu lugar de destaque e continue sendo o fiador de nossa tradições mineiras em levar história à crianças e adolescentes e transportar os mais antigos a um saudoso e lindo passado.

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

General Villas Bôas vira muro das lamentações de militares contra Bolsonaro

 

FOTO: ED ALVES/CB/DA.PRESS
Os militares que deram suporte à eleição do presidente Jair Bolsonaro — vários deles foram expelidos do Palácio do Planalto — elegeram o general Villas Bôas como muro das lamentações contra o chefe do Executivo. 

Referência para a caserna, Villas Bôas é visto como um dos poucos que ainda conseguem colocar um freio em Bolsonaro, que está cada vez mais tresloucado diante da possibilidade real de o Ministério Público pegar o filho 01, o senador Flávio Bolsonaro, por causa das rachadinhas, e de se construírem candidaturas que possam lhe apear do poder. 

Para os queixosos, o presidente da República está metendo os pés pelas mãos ao destruir o pouco da credibilidade que resta ao governo, transformar os militares em motivo de chacota, deixar a economia flertar com uma perigosa volta da inflação e atentar contra a saúde pública ao desqualificar a vacinação contra a covid-19. 

Por enquanto, a determinação é de que apenas os militares que deixaram o governo, mas têm trânsito livre com Villas Bôas, critiquem o presidente da República. São os casos dos generais Santos Cruz e Rêgo Barros. Mas o coro vai engrossar caso Bolsonaro mantenha o comportamento descontrolado. 

Dentro dessa estratégia, o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, foi aconselhado a não partir para o confronto público com Bolsonaro. Mas quem conhece o vice sabe o quanto isso está custando para ele. O general e o presidente mal se falam há mais de uma semana.

https://blogs.correiobraziliense.com.br/vicente/general-villas-boas-vira-muro-das-lamentacoes-de-militares-contra-bolsonaro/?utm_source=onesignal&utm_medium=push

O segundo mandamento – por Otávio Santana do Rêgo Barros


Uma autoridade municipal de Seul visita uma igreja na capital sul-coreana para verificar se as diretrizes anti-Covid-19 mais rígidas estão sendo bem seguidas - 13/09/2020 YONHAP/EPA/EFE

Em uma das derradeiras audições do programa The Voice, o cantor e compositor Carlinhos Brown, com sua sensibilidade e baianidade, acolheu sua jogadora eleita com a frase: “Protegendo-me, eu protejo você.” Desculpava-se pela impossibilidade de acarinhá-la com um abraço em face das condições restritivas impostas pela Covid-19. Belo exemplo Carlinhos. Isso dá música.

Na mesma semana, na missa dominical, após medição da temperatura, higienização com álcool, distanciamento entre bancos e aposição das máscaras faciais, que nos protege e protege aos outros, sentamo-nos, minha esposa e eu, aguardando o início da celebração. A comunidade com naturalidade também cumpria as normas sanitárias vigentes. Menos uma pessoa.

Idoso, sem máscara, ele olhava nervoso e firmemente quem o encarava, até com incredulidade, como se quisesse partir para uma briga de rua. Passei a missa inteira desatento, refletindo sobre a atitude daquele fiel, principalmente em razão do tema do evangelho (Mateus 22:37-39) que tratava do grande mandamento de Jesus Cristo: “Amarás ao Senhor Deus acima de tudo e ao teu próximo como a ti mesmo”. Reforço, “o próximo como a ti mesmo!”

O que leva pessoas a buscarem o dissenso de forma provocativa? O que justifica pessoas ofenderem a máxima de que o direito dos indivíduos se encerra quando se inicia o do próximo? O que leva pessoas ao desamor até espiritual? O que leva pessoas ao escárnio despropositado pelo riso que ultraja? Aliás, “o rir sem causa grave, denuncia sandice” (Miguel de Cervantes).

É esperado que a régua ao medir a consciência de cada cidadão esteja majoritariamente calibrada pelo senso comum. Há uma passagem na obra do Ray Bradbury, Fahrenheit 451, que merece ser oferecida para reflexão: “Se não quiser um homem politicamente infeliz, não lhe dê os dois lados de uma questão; dê-lhe apenas um.”

Aquele senhor de crença, por certo, estava politicamente infeliz. A cruz pesada da escolha, que o bom senso comunitário contestava, lhe exauria as forças. Eis o porquê, penso eu, de seu semblante fechado ante o açoite da reprovação.

Tem sido mais simples, a alguns, não decidir e seguir o destino passivo como manada humana ao som do berrante de uns poucos boiadeiros. A outros, talvez mais destemidos como aquele senhor, decidir por desconstruir ou afrontar como rebelde sem causa. E a maioria, com base no senso comum, avaliar criteriosamente o seu destino e enfrentá-lo fronte aberta. Melhor assim.

Agora, passados alguns dias, com humildade reflito sobre esta outra passagem: “Não julgueis, para que não sejais julgados.” Portanto, devemos esforçarmo-nos para seguir o caminho da composição. Sabendo que o certo e o errado são ponderados em referências de momento. Recomendo firmemente considerarem isso. Simples assim senhores, transformem as mesas de discussão em mesas de aliança. Repartam o pão.

Simples assim senhores, transformem-se em catalisadores de paz e bem-estar social. Repartam o peixe.

Paz e bem!

Otávio Santana do Rêgo Barros é general do Exército e ex-porta-voz da presidência da República. Escreve aqui às quartas-feiras.

https://veja.abril.com.br/blog/noblat/o-segundo-mandamento-por-otavio-santana-do-rego-barros/

terça-feira, 10 de novembro de 2020

4ª REGIÃO MILITAR - PROCESSO SELETIVO, UMA BOA OPORTUNIDADE

 


Um sábado anormal - Por Otávio Santana do Rêgo Barros

 


Pouco por força podemos,

Isso que é, por saber veio,

Todo mal jaz nos extremos,

O bem todo jaz no meio.

(Sá de Miranda) 

Sábado é dia de tarefas domésticas compartilhadas. Como de costume, nesse último (07 de novembro de 2020), eu e minha esposa saímos para ticar a lista de afazeres e ainda aproveitarmos para cumprimentar o general Villas Bôas, meu antigo comandante e amigo, pela passagem do seu aniversário.

Mas, não era um dia normal. O mundo acompanhava, sem fôlego, a apuração eleitoral na maior democracia do mundo ocidental. Há muito, a emoção havia sobrepujado a razão em ambas as torcidas.

Todas as tendências indicavam a vitória do candidato do partido Democrata, Joe Biden, sobre o atual presidente Donald Trump, do partido Republicano.

Já em casa, diante da televisão, comecei a zapear o controle remoto correndo entre os canais, independentemente da linha editorial, nacionais e internacionais, para entender o avanço, voto a voto, em cada estado daquele país.

Complicado e fora de moda esse sistema de apuração eleitoral. Viva o Brasil! Viva as nossas urnas eletrônicas.

“Tchan, tchan, tchan! (Lembrei-me do Repórter Esso) Breaking news: Joe Biden está eleito presidente dos Estados Unidos da América.”

Independentemente do vencedor, já é hora de curar as feridas e assinar a paz.

Alguns abalos ainda serão sentidos. O presidente Trump não se considera vencido e já se pôs a engraxar as armas para uma longa batalha judicial. Desafia os princípios consuetudinários acolhidos nas apurações daquele país.

Situação inusitada e que melindra a memória dos pais fundadores da nação americana e todos, em todo o mundo, que têm como referência a sólida democracia naquele país.

É justo buscar a justiça. Os republicanos devem insistir no esclarecimento. Até mesmo pela expressiva votação do presidente Trump — mais de 70 milhões de votos. Entretanto, é necessário que haja materialidade na demanda. Ao que parece, até este momento, não há.

Que lições podemos tirar dessa visão maniqueísta que se estabeleceu na sociedade americana? E talvez em alguns sítios da política mundial.

A primeira e mais importante é reforçarmos o espírito do homem cordial, expressão do escritor Sérgio Buarque de Holanda, na obra de referência antropológica Raízes do Brasil.

A nossa sociedade, ainda que esteja submetida a discordâncias de opinião, não se revela tão antípoda. Sou otimista, não chegaremos ao confronto físico que, em alguns momentos, configurou-se naquele país irmão.

Que seja a nossa maior peleja, da sociedade, não permitir que os líderes políticos, independente da coloração partidária, nos instile o veneno da aversão ao discordante. “A sã política é filha da moral e da razão.”

A segunda, encontrar fórmulas para fortalecer as decisões individuais dos eleitores, que lhes permitam tecer poderosos escudos contra invencionices de campanha e mentiras transformadas em verdade pela repetição.

E, por fim, que os políticos entendam: se você não governa para todos, não governa para ninguém!

Ainda em Buarque de Holanda, “a experiência já tem mostrado largamente como a pura e simples substituição dos detentores do poder público é um remédio aleatório, quando não precedida e, até certo ponto, determinada por transformações complexas e verdadeiramente estruturais na vida da sociedade.”

Eis o nosso grande desafio. Transformar as estruturas.

Boa sorte povo americano.

Boa sorte presidente eleito Joe Biden. Que o senhor possa materializar o que tantas vezes proferiu em seu discurso: “Vou governar para todos os americanos, os que votaram e os que não votaram em mim.”

O mundo agradecerá o seu exemplo.

Paz e bem!

Otávio Santana do Rêgo Barros
General, ex-porta-voz da Presidência da República

https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2020/11/4887722-um-sabado-anormal.html

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

MUSEU DAS REDUÇÕES - NOTICIAS


 

SEMINÁRIO DE DEFESA NACIONAL - AO VIVO


 

Com desgaste na relação, governo Bolsonaro demite um militar de alta patente por mês

 

Foto: Evaristo Sá - AFP

Caso de Rêgo Barros, porta-voz escanteado e demitido, causou incômodo entre fardados

Alto Comando não aceita eventual volta de Pazuello à ativa no Exército

Vinicius Sassine


O governo Jair Bolsonaro tem uma demissão por mês, em média, de um militar de alta patente colocado em algum posto estratégico da administração federal.
A curta permanência desses generais, brigadeiros e almirante nas funções civis evidencia o tamanho do desgaste da relação entre Bolsonaro e a caserna, em menos de dois anos de gestão.


Levantamento da Folha identificou 16 generais do Exército, 4 brigadeiros da Aeronáutica e 1 almirante da Marinha exonerados de cargos civis no governo, já a partir do quarto mês da gestão de Bolsonaro, que é capitão reformado do Exército.
A maioria desses militares está na reserva, participou da gestão em razão da proximidade ao ideário bolsonarista e acabou demitida.


O caso mais recente é o do general três estrelas Otávio do Rêgo Barros, demitido do cargo de porta-voz do presidente em 6 de outubro. A função já havia sido extinta 40 dias antes.


Em junho de 2019, quando ainda cumpria o ritual de um porta-voz da Presidência, Rêgo Barros foi excluído de uma promoção pelo Alto Comando do Exército. Ele deixou de ganhar a quarta estrela em razão do cargo exercido no Palácio do Planalto. O ex-porta-voz de Bolsonaro não saiu calado do governo. Em artigo publicado no jornal Correio Braziliense, ele fez críticas indiretas ao presidente e à gestão. O sentimento é compartilhado especialmente por generais da reserva que permanecem no governo.


Rêgo Barros se soma a outros militares que se tornaram vozes críticas a Bolsonaro depois de passarem por cargos civis. O mais falante deles é o general Santos Cruz, demitido há mais de um ano do cargo de ministro da Secretaria de Governo da Presidência.


Generais ouvidos pela Folha —do Alto Comando do Exército, da linha de frente de órgãos do governo ou do grupo de demitidos— discordam do tratamento dispensado a militares como Rêgo Barros.


Além disso, eles rejeitam o aumento da pressão de partidos políticos por cargos —leia-se centrão — e dizem tolerar afastamentos somente em casos de incompetência, o que não vem sendo o caso, afirmam.


Um caso ilustra, ao mesmo tempo, o desgaste da relação com o presidente e o incômodo com a percepção de politização das Forças Armadas.


O episódio envolve o ministro Eduardo Pazuello (Saúde), um general três estrelas que permanece na ativa mesmo ocupando o cargo no governo há mais de cinco meses, com o aval do comandante do Exército, Edson Pujol.

Generais que integram o Alto Comando do Exército consideram inaceitável uma eventual volta de Pazuello à força e ao comando de tropas. Isso foi discutido entre eles depois de o ministro ser desautorizado pelo presidente quanto à compra da vacina Coronavac, um imunizante para o novo coronavírus desenvolvido por um laboratório chinês e pelo Instituto Butantan, do governo de São Paulo.

À frente do Ministério da Saúde, Pazuello tem atendido insistentemente a pedidos de Bolsonaro na pandemia. A desautorização sobre a vacina levantou dúvidas sobre a permanência do general no cargo, mas ele prossegue.


Em encontro com o presidente, o ministro minimizou o ocorrido. Segundo ele, na relação com o chefe do Executivo, “um manda e o outro obedece”.


Para integrantes da cúpula do Exército, é impossível um retorno de Pazuello à força, diante de um cargo tão político exercido por ele. A posição contrasta com o que o general costumava repetir, que atenderia a uma convocação do presidente e, cumprida a missão, voltaria às funções militares.


Na semana passada, quando o então candidato democrata Joe Biden consolidava seu favoritismo na disputa pela presidência nos EUA, o núcleo militar do governo se irritou com a postura do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o filho 03 de Bolsonaro, como mostrou a Folha.


Eduardo fez postagens pró-Donald Trump nas redes, inclusive corroborando o falso discurso de fraude nas eleições. Foi mais um episódio de atrito entre os militares e os personagens mais ideológicos que giram em torno do presidente.
Entre os que seguem em cargos civis no governo e que não estão nas funções de auxiliares diretos de Bolsonaro, a alta debandada de fardados provoca um temor de demissões repentinas.


Esses militares apontam que Rêgo Barros, por exemplo, fazia um bom trabalho no cargo de porta-voz do presidente e não deveria ter sido escanteado como foi.
O entendimento entre integrantes do Alto Comando do Exército é de que Bolsonaro fala e expõe demais as contendas do governo, como no caso da Coronavac. Isso acaba prejudicando a atuação dos militares, segundo esse entendimento.


A postura do ex-porta-voz, porém, não é uma unanimidade no Exército. A decisão de sair atirando, ainda que por meio de um texto com referências indiretas, foi mal recebida entre integrantes do Alto Comando.


Apesar do alto índice de demissões, os militares seguem com um espaço sem precedentes na administração federal, em comparação com os últimos cinco anos, como mostrou um levantamento do TCU (Tribunal de Contas da União) concluído em julho.

O número de militares da ativa e da reserva ocupando cargos civis chegava a 6.157, mais do que o dobro do registrado em 2016.


Um detalhamento dos dados feito por auditores do TCU, obtido pela Folha, mostra que 54 cargos do alto escalão do governo são ou foram ocupados em algum momento por generais, coronéis, capitães, brigadeiros e almirantes.


Isso inclui os auxiliares que despacham dentro do Palácio do Planalto, e que estão entre os principais conselheiros do presidente: general Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), general Braga Netto (Casa Civil), general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e almirante Flávio Rocha, secretário de Assuntos Especiais da Presidência.


Os outros militares estão distribuídos por ministérios; estatais como Itaipu Binacional e Eletrosul; autarquias como o Dnit; bancos públicos, a exemplo da Caixa; e conselhos de administração de estatais, Petrobras entre elas.

MILITARES DEMITIDOS DO GOVERNO BOLSONARO

Exército
General Rêgo Barros
Porta-voz do presidente
6.out.20
General Luiz Carlos Pereira Gomes
Presidente da EBC
29.set.20
General Guilherme Theophilo
Secretário nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça
13.mai.20
General Décio Brasil
Secretário especial do Esporte do Ministério da Cidadania
27.fev.20
General Ilídio Gaspar Filho
Secretário de Ações Estratégicas da Secretaria de Assuntos Estratégicos
8.nov.19
General Lauro Luís Pires
Secretário especial adjunto da Secretaria de Assuntos Estratégicos
8.nov.19
General Santa Rosa
Secretário especial de Assuntos Estratégicos
6.nov.19
General Jamil Megid Júnior
Secretário nacional de Transportes Terrestres do Ministério da Infraestrutura
24.out.19
General João Carlos Corrêa
Presidente do Incra
2.out.19
General Santos Cruz
Ministro da Secretaria de Governo da Presidência
13.set.19
General Francisco Mamede
Chefe de gabinete da presidência do Inep
26.abr.19
General Marco Aurélio Vieira
Secretário especial do Esporte do Ministério da Cidadania
17.abr.19
General Floriano Peixoto *
Ministro da Secretaria-Geral da Presidência
21.jun.19
General Severo Ramos
Secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência
21.jun.20
General Juarez Cunha
Presidente dos Correios
19.jun.19
General Franklimberg Freitas
Presidente da Funai
13.jun.19

Aeronáutica
Brigadeiro Eduardo Camerini
Secretário de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente
18.set.20
Brigadeiro Celestino Todesco
Chefe de gabinete do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações
28.ago.20
Tenente-brigadeiro Antonio Franciscangelis Neto
Secretário de Planejamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e
Comunicações
29.jun.20
Tenente-brigadeiro Ricardo Machado Vieira
Secretário-executivo do Ministério da Educação
10.abr.19

Marinha
Almirante Alexandre Araújo Mota **
Chefe da assessoria especial da Secretaria de Governo da Presidência
16.out.20
* Nomeado presidente dos Correios
** Nomeado como assessor especial na mesma secretaria


Fonte: Levantamento da Folha com base no Diário Oficial da União e Forças Armadas


https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/11/com-desgaste-na-relacao-governo-bolsonaro-demite-1-militar-de-alta-patente-por-mes.shtml

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

04 DE NOVEMBRO - DIA DO OFICIAL DA RESERVA R/2

 Nas pessoas dos amigos Cap R/2 Sérgio Carneiro e Ten R/2 Marcos Anísio, cumprimento a todos Oficias R/2 de todo Brasil.




terça-feira, 3 de novembro de 2020

CACHANGA - POR OTÁVIO SANTANA DO RÊGO BARROS

 




“Didi do Baralho”, inveterado jogador, além de péssimo perdedor, criou um jogo de cartas e o batizou de Cachanga. 

As regras, somente ele as dominava totalmente. “Mané Caolho”, adversário de todos os dias e eterno ludibriado, percebeu que essas regras não tinham lógica e se adaptavam às diversas situações para beneficiar o matreiro Didi do Baralho. 

Cachanga Caolho, vai aprender a jogar! Uma manhã, Mané Caolho, crendo-se esperto, tão logo recebeu as cartas grita subindo na mesa: -Tô com a moléstia.

Cachanga seu bexiguento!

Hoje ocênumme ganha mequetrefe. 

Didi do Baralho respirou fundo, tirou o estoura peito da boca, olhou de soslaio para a brasa ardente e disse calmamente: - Tabacudo. 

Cachanga é o quê ô Caolho, tome aqui, Cachanga Real! 

Sacou uma carta do bolso da calça jeans surrada, pintada grotescamente a lápis de cera, com uma imagem que lembrava o palhaço Coringa. 

Jogou-a na mesa em cima do bolo de notas sebentas de dois reais com um sorriso de canto de boca. - A regra é minha, faço com ela o que bem quiser, Caolho. 

Na próxima você ganha, cotoco de gente! 

Estamos às voltas com as eleições municipais. Mais dois anos, com as estaduais e as nacionais. Prestem atenção, a política no Brasil está cheia de Didis do Baralho. 

Entram nas campanhas apenas com o intuito de locupletar-se, prometem mundos e fundos, se exibem como os diferentes e raramente expõem planos de governo minimamente estruturados. Tão logo são eleitos começam a jogar Cachanga com o povo. 

Ao menor sinal de que o embate democrático possa contrariá-los, mudam a regra, sacam o Coringa peguento e anunciam: Cachanga real! 

Nas últimas eleições, sentimos o bafejo de ventos mais puros, nascidos do cansaço com a velha política e da esperança que a aragem de dias mais amenos viria para nos afagar a face tão judiada. A corrupção que grassava por longos anos em pretéritos governos, independente de colorações partidárias, com apoio de legisladores camaleônicos, parecia ter seus dias contados. 

Passados dois anos, imersos em uma pandemia ainda sem controle e uma brutal crise social, sanitária e econômica, nos deparamos com a sordidez de alguns políticos, eleitos na crista daqueles ventos cambiantes, a surrupiar, à luz do dia, os escassos recursos destinados ao enfrentamento dos desafios impostos pela Covid-19. 

Nos deparamos, ainda, com mudanças dos pilares que sustentavam o entusiasmo que florescia após o pleito de 2018: combate à corrupção, economia lastreada em princípios liberais e o enfrentamento do inadmissível crime moral do “toma lá, da cá”. 

Triste constatação. 

Vemos agora aqueles velhos camaleões da política, ressurgirem das cinzas, assumindo a coloração que lhes promoverá novas sinecuras. Não podemos aceitar que esses jogos vorazes da política desvirtuem as normas institucionais que devem ser acolhidas pelo todo da sociedade. 

Não nos permitamos que os “Didis do Baralho” nos imponham suas regras, adaptadas às suas circunstâncias, a fim de se perpetuarem no poder. 

Ao compactuarmos com jogo da democracia, fixemos rigorosamente os códigos sob os quais admitimos participar, obrigando os jogadores que nos representam a defender os mesmos princípios e valores que carregamos e esboçamos por meio daquele voto solitário. 

Você é o responsável maior pelas regras desse carteado. 

Não esqueça! Paz e bem! 

GENERAL DO EXÉRCITO

Publicado na Folha de Pernambuco, em 01 de novembro de 2020

O PERIGOSO ESPORTE DE HUMILHAR GENERAL - POR FERNANDO GABEIRA


 Com a redemocratização, conheci alguns generais. Um deles visitava nossa casa para alegria das crianças. Era o bisavô das meninas, já nos últimos anos de vida. Serviu no Brasil profundo, tinha memórias de índios e do mato.

Um dia ele me contou que o médico íntimo dele, antes de operá-lo, aplicou a anestesia e perguntou: “Quer dizer que o senhor é o general da banda?” Ele tentou responder, mas dormiu com um sorriso nos lábios.

“General da banda” é uma canção antiga, regravada por Astrud Gilberto, que dizia: “Chegou o general da banda, eh eh/ Chegou o general da banda eh ah”. Era possível brincar com um velho general. Mas seria impensável desrespeitá-lo.

Quando leio nos jornais que há um plano para humilhar generais, minha reação inicial é esta: um general não se deixa humilhar.

Mas, ao longo destes anos compreendi também que, assim como nos outros ofícios, há diferenças entre as pessoas. Nem todas se comportam da mesma maneira. Há generais que entraram no governo pensando num trabalho sério. Santos Cruz foi golpeado por intrigas. Saiu e hoje é um crítico sensato dos descaminhos de Bolsonaro.

Rêgo Barros foi um dos generais que conheci, como jornalista. Era a interface com o Exército, coordenava a comunicação. Fui visitá-lo algumas vezes no Forte Apache, na tarefa de preparar programas de TV sobre algumas ações militares que me interessavam.

Ele se tornou porta-voz de Bolsonaro, foi destituído e vejo que estava certo ao manter meu interesse por ele. Percebeu a vulgaridade e o delírio de poder de Bolsonaro e segue seu caminho.

Infelizmente, nem todos se comportam assim. Tive poucos contatos com o general Heleno. O primeiro foi no Haiti, quando ele comandava a força da ONU. O segundo, na Amazônia; chegamos a viajar juntos para as terras ianomâmi. Heleno teve uma curta passagem como comentarista de TV, na Band, analisava segurança pública.

Sua trajetória é de adesão total ao projeto Bolsonaro. Ao colocar Abin e GSI na busca de uma defesa para as trapalhadas de Flávio, ele se revelou um samurai da família Bolsonaro.

Mergulhou tão rancorosamente no passado que manda espiões para encontros internacionais que tratam do tema essencial para o futuro do Brasil: o meio ambiente.

Trajetória estranha também é a do general Pazuello, a quem não conheci pessoalmente, apesar de ter visitado as instalações da Operação Acolhida em Roraima. Pazuello foi desautorizado publicamente por Bolsonaro, em seguida posou ao lado do presidente e disse simplesmente: “Um manda, e o outro obedece”.

Espontaneamente, ele igualou suas funções à de um varredor da porta do quartel. E nos deu uma antevisão da situação calamitosa da saúde no Brasil: ele simplesmente obedece a Bolsonaro, uma das pessoas mais obtusas nesse campo, para não falar de vários outros.

Como se não bastasse tudo isso, o ministro Ricardo Salles chama o general Ramos de Maria Fofoca nas redes sociais, e nada acontece com ele.

Alguns analistas acham que Bolsonaro tem prazer em humilhar generais, para compensar seu fracasso no Exército. Não me interessa tanto o lado psicológico. O mais importante para mim é lembrar que a humilhação de generais repercute no respeito ou desprezo que as pessoas têm pelas Forças Armadas.

O desprezo pelas Forças Armadas, por sua vez, repercute na política de segurança nacional. Não é possível que, por um dinheirinho a mais os militares, ocupem um governo destruidor e incapaz e ameacem com isso sua função constitucional específica.

Não precisamos de Forças Armadas para derrubar essas aberrações momentâneas. Nos Estados Unidos, Trump pode ir para o espaço com as eleições. Derrotaremos Bolsonaro e quantos militares estiveram ao seu lado. Não é esse o problema.

O que faremos com a vitória se o sentimento elementar de honra abandonar nossas Forças Armadas?

Uma das consequências mais nefastas do governo Bolsonaro foi ter comprometido as Forças Armadas. Todo o trabalho de recomposição no período democrático pode estar se perdendo, de alguma forma.

Não há presos políticos nem tortura, é verdade. Mas os problemas são de outra natureza, as consciências despertas para novas realidades. Um pobre general abraçado à cloroquina, espionando encontros internacionais, sendo chamado de Maria Fofoca — tudo isso é demonstração de que a insanidade sentou praça.

Artigo publicado no jornal O Globo em 02/11/2020

https://gabeira.com.br/o-perigoso-esporte-de-humilhar-general/

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

SUJOU? MARCOS LAVA TUDO JF É A SOLUÇÃO

 


REZATO JUSTIFICA SUA AUSÊNCIA EM DEBATE DA CMJF

 


Ao Exmo. Presidente da Mesa Diretora da Câmara Municipal de JF

29 de outubro de 2020

Em atenção à realização do Debate com os candidatos à Prefeitura Municipal de Juiz de Fora, cumpre-nos evidenciar alguns pontos que consideramos de extrema relevância para a compreensão do processo.

Visto que:

• a JFTV Câmara é, hoje, coordenada por pessoas ligadas diretamente a outra candidatura, inclusive o seu coordenador, que é marido da apresentadora do programa eleitoral da mesma candidatura; 

• a Mesa Diretora, conforme constam nas gravações da reunião ocorrida na última terça-feira, não foi consultada de forma adequada sobre a realização do debate citado anteriormente. Na gravação da sessão, forçando a finalização das falas, o presidente diz que “parece que foi comunicado a ele, mas ele está falando que não foi.”, ao que um dos vereadores da Mesa responde com sinal negativo. Ainda sob este aspecto, é bom transcrever a matéria da Tribuna de Minas de 29/10/2020, em que assinala que “Cabe lembrar que, dos cinco nomes que integram a Mesa Diretora, quatro apoiam a candidatura (...)” acima mencionada;

• a organização do debate está a cargo de profissional que faz questão de ostentar, em sua foto de perfil e durante as discussões sobre o debate em grupo de WhatsApp, o nome, o número e a logomarca do partido do presidente desta Casa, reconhecidamente cabo eleitoral de uma candidatura à Prefeitura. Também é do mesmo partido;

• a organização do debate disponibilizou o vídeo de “chamada” de 30 segundos para o debate na TV, e o referido vídeo apresentava os candidatos em ordem que não a alfabética. Por coincidência ou não, o primeiro candidato apresentado no vídeo era da candidatura defendida pelo presidente da Casa, pela esposa do coordenador da TV, apresentadora do programa eleitoral, e por quatro membros da Mesa Diretora, incluindo um que é o candidato a vice-prefeito. O vídeo causou estranheza no grupo de WhatsApp dos representantes das demais candidaturas, e o mesmo teve que ser modificado, já que o organizador, segundo mensagem dele mesmo no grupo, disse que “tenho tentado mostrar a imparcialidade da TV Câmara”. “Tenho tentado”.

Pelos fatos acima expostos, a Coligação Juiz de Fora é Meu Amor, respeitosamente, agradece o convite e declara que a participação torna-se inviável com tantas sombras e incertezas lançadas sobre a imparcialidade de um debate que seria de suma importância para o processo de sucessão à Prefeitura Municipal de Juiz de Fora.

Respeitosamente, esperamos por dias de maior transparência e lisura nos processos que envolvem a TV legislativa, e convidamos a todos a assistirem/ouvirem ao debate da CBN/Tribuna de Minas, no próximo dia 12 de novembro, às 9h da manhã.


Att,

Eduardo Moreira de Rezende

Representante da Coligação Juiz de Fora é Meu Amor


https://wilsonrezato40.com/blog/f/ao-exmo-presidente-da-mesa-diretora-da-c%C3%A2mara-municipal-de-jf

NOTA DO DELEGADO FEDERAL CLÁUDIO NOGUEIRA

 


As atribuições da Polícia Federal estão definidas na Constituição Federal e em diversas leis que elencam um extenso rol de investigação de crimes, dentre os quais, contrabando, terrorismo, tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro, pirataria e biopirataria, evasão de divisas e organização criminosa. Somem-se ainda os crimes cibernéticos que rompem fronteiras, numa criminalidade cada vez mais estruturada e transnacional e nesses tenebrosos tempos de pandemia, todos os crimes relacionados ao desvio de recursos públicos tendo como subterfugio a decretação do Estado de Calamidade Pública e as consequências advindas do uso irregular das verbas públicas federais.

Para tão variado rol de atribuições da Polícia Federal, seus policiais precisam ter competência e expertise no uso de técnicas de investigação visando analisar e definir com precisão cada uma dessas modalidades de crimes, suas nuances e rede de conexões.
A atividade de investigação exige do policial federal atributos como perspicácia, criatividade, dedicação e DISCRIÇÃO, bem como traços de personalidade como, persistência, paciência, memorização, habilidade para dissimulação, representação e uso de técnicas avançadas de investigação, para que se tenha uma maior eficácia na investigação e resulte no cometimento de JUSTIÇA .
De um modo geral, as investigações de crimes complexos e de organizações criminosas demandam o emprego da inteligência policial e a realização de ações que são decididas e implementadas em tempo real, de acordo com a dinâmica e a cronologia dos fatos, adequando em um resultado de mais eficiência e eficácia na elucidação de crimes.
Lamentável portanto o comportamento contemplado, visando o oportunismo político, precipitando levianamente uma "denúncia de crime" de que foi contemplado com informações privilegiadas, onde deveria ter sido adotadas as precauções necessárias para o deslinde completo do suposto crime, no que poderia ter acarretado a possibilidade da não elucidação da atividade criminosa e a não condenação dos verdadeiros culpados por falta de provas concretas.
Esperamos que se tenha o mínimo de discernimento e responsabilidade quando do encaminhamento de supostas práticas criminosas aos órgãos competentes, pois o objetivo primordial é adotar as medidas necessárias e adequadas para apurar com isenção dos fatos, SEM VIÉS POLÍTICO. Certo de que a Polícia Federal continuará sempre procurando garantir a transparência e seriedade do uso adequado das verbas advindas para o real combate à essa pandemia e as catastróficas consequências sociais que resultará no uso inadequado desses valores.
Tenho certeza que os órgãos responsáveis pela persecução penal, Polícia Federal e Ministério Público, tomaram todas as medidas necessárias para o deslinde da atividade criminosa. Falta apenas a Justiça advertir determinados candidatos sobre o oportunismo político dos fatos. Lamentável, antiético e imoral.
Cuidado Juiz de Fora, votem consciente, as consequências serão catastróficas.

Nota do editor: extraída do Facebook: https://www.facebook.com/claudionogueiradf

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Elogiada por militares, mensagem de Rêgo Barros reproduz queixas da caserna

 




Denise Rothenburg, Jorge Vasconcellos, Ingrid Soares, Augusto Fernandes

Recém-exonerado pelo presidente Jair Bolsonaro, depois de ficar quase o ano inteiro sem promover as tradicionais coletivas de imprensa diárias no Palácio do Planalto, o general Otávio Rêgo Barros, ex-porta-voz da Presidência, voltou a ser o centro das atenções em Brasília. E em um ponto delicado: a atuação dos militares na agenda política nacional.


Em artigo publicado no Correio na última terça-feira, o general discorre sobre políticos que descumprem compromissos de campanha e se inebriam com os encantos do poder. Em analogia com a Roma antiga, Rêgo Barros critica também assessores que, por receio de contrariar o líder e por ambições pessoais, abrem mão da “discordância leal”, elemento essencial no bom funcionamento de um governo.


A mensagem de Rêgo Barros foi elogiada nos meios militares e, embora seja lida como um recado direto ao presidente Jair Bolsonaro, não foi vista com deslealdade. O objetivo, avaliam amigos do general, jamais foi criar celeuma. E sim alertar sobre o perigo de não se dar espaço ao que ele chama de “discordância leal”. É isso que hoje mais incomoda grande parte dos generais e de antigos apoiadores do presidente, que, diante dos novos amigos do Centrão, deixa de lado aqueles que o ajudaram a chegar ao Planalto e apostaram num projeto.
“Alguns deixam de ser respeitados. Outros, abandonados ao longo do caminho, feridos pelas intrigas palacianas. O restante, por sobrevivência, assume uma confortável mudez. São esses, seguidores subservientes que não praticam, por interesses pessoais, a discordância leal”, escreveu o general no artigo Memento mori.


Rêgo Barros, que foi porta-voz da Presidência, mas acabou isolado após um tempo, traduziu no artigo o sentimento que perpassa os militares, de que hoje o presidente confunde discordância leal com oposição e de que é preciso ter clareza de que nem toda discordância é deslealdade.


O artigo, aliás, fez com que muitos saíssem da “toca”, em solidariedade ao general. Alguns, inclusive, que se veem hoje quase que atirados à oposição, embora não tenham essa intenção. “Barbara Tuchman tinha razão: ‘A Marcha da Insensatez’ parece se repetir. Toda a minha solidariedade ao General Rêgo Barros pela atitude. Leitura precisa de um sombrio cenário. O mesmo cenário já repudiado por General Santos Cruz, Sergio Moro e outros atentos defensores da moralidade”, escreveu em seu Twitter o general Francisco Mamede de Brito Filho, que já atuou como chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Nordeste, numa referência aos ex-ministros de Bolsonaro e à historiadora, jornalista e escritora estadunidense, ganhadora de dois prêmios Pulitzer.


O que o general Brito menciona de público corre a caserna nas conversas reservadas. O artigo Memento mori vale para todos aqueles que, ao alcançar o coração do poder, deixam de lado os projetos pactuados com eleitor, sem levar em conta a próxima eleição e que é preciso manter a conexão com a realidade e não apenas com a bolha de seguidores nas redes sociais.


Chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno disse ao Correio que Rêgo Barros “tem o direito de falar o que ele quiser”. “Para mim, não significa nada. Para o governo ou para alguém, pode significar. É um direito dele. Ele é um cidadão, paga imposto, vota. Então, é direito dele falar o que ele quiser”, declarou.


Em entrevista ao jornal O Globo, o general da reserva Paulo Chagas disse que foi “oportuno” o posicionamento do ex-porta-voz. “Todos nós acreditamos no lema do Brasil acima de tudo. Então, é preciso provar que vai mesmo ser o Brasil acima de tudo. Os compromissos de campanha precisam ser seguidos.”

Constrangimento


O artigo de Rêgo Barros vem na sequência de episódios constrangedores envolvendo generais que estão no governo Bolsonaro. Na semana passada, o titular do Ministério da Saúde, Eduardo Pazuello, foi desautorizado publicamente pelo chefe, que cancelou a aquisição de 46 milhões de doses da vacina chinesa CoronaVac. Após o cancelamento, o ministro disse, simplesmente, que “um manda, o outro obedece”.


A resposta de Pazuello rendeu um tuíte do general Santos Cruz, ex-titular da Secretaria de Governo. “Hierarquia e disciplina, na vida militar e civil, são princípios nobres. Não significam subserviência nem podem ser resumidos a uma coisa ‘simples assim, como um manda e o outro obedece’… Como mandar varrer a entrada do quartel”, escreveu ele, que deixou o governo após passar por um processo de fritura.


Também na última semana, outro militar alvo de ataques foi o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. Ele entrou em atrito com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Como resposta, Salles pediu ao general para deixar de lado a “postura de #MariaFofoca”. A provocação do titular do Meio Ambiente teve apoio da ala ideológica do governo e de filhos de Bolsonaro.
O deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), ex-vice-líder do governo na Câmara, contestou as afirmações do general. “Otávio Rêgo Barros, ex-porta-voz da Presidência da República, disse que os auxiliares do presidente são ‘seguidores subservientes’. Rêgo está confundindo subserviência com lealdade. A todo momento o presidente Jair Bolsonaro ouve e pede conselhos, que relação de subserviência seria essa?”, questionou.


“É doloroso perceber que os projetos apresentados nas campanhas eleitorais, com vistas a convencer-nos a depositar nosso voto nas urnas eletrônicas, são meras peças publicitárias, talhadas para aquele momento. Valem tanto quanto uma nota de sete reais.”


“Os assessores leais — escravos modernos — que sussurram os conselhos de humildade e bom senso aos eleitos chegam a ficar roucos. Alguns deixam de ser respeitados. Outros, abandonados ao longo do caminho, feridos pelas intrigas palacianas. O restante, por sobrevivência, assume uma confortável mudez. São esses, seguidores subservientes que não praticam, por interesses pessoais, a discordância leal.”


“Infelizmente, o poder inebria, corrompe e destrói! E se não há mais escravos discordantes leais a cochichar: ‘Lembra-te que és mortal’, a estabilidade política do império está sob risco.”


“As demais instituições dessa república — parte da tríade do poder — precisarão, então, blindar-se contra os atos indecorosos, desalinhados dos interesses da sociedade, que advirão como decisões do ‘imperador imortal’.”
“A população, como árbitro supremo da atividade política, será obrigada a demarcar um rio Rubicão cuja ilegal transposição por um governante piromaníaco será rigorosamente punida pela sociedade. Por fim, assumindo o papel de escravo romano, ela deverá sussurrar aos ouvidos dos políticos que lhes mereceram seu voto: — ‘Lembra-te da próxima eleição!’”


https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2020/10/4885330-elogiada-por-militares-mensagem-de-rego-barros-reproduz-queixas-da-caserna.html?utm_source=push&&utm_medium=push