segunda-feira, 20 de agosto de 2012

JOÃO DO JOANINHO 25.333


EM RECREIO É ZÉ MARIA BARROS - VOTAMOS 40


Martinho da Vila: Nelson Sargento


Rio -  O Sargento Ferreira e o seu superior, Sargento Mattos, são compositores. Por ocasião da gravação do CD ‘Do Brasil e Do Mundo’ — o que se considera subalterno porque no Exército antiguidade é posto — ganhou do outro uma melodia de samba e ao ouvir, exclamou: “Que música linda”. 
Aí criou uma letra um tanto contundente, ‘Nossos Contrastes’, nada parecida com poesias de samba.
Um tanto inseguro, mostrou ao mestre e este, para sua alegria, abriu um largo sorriso de satisfação: “Concerto de cordas, ópera chocante/ Araponga, grilo, rouxinol cantante/ Tuba, bombardino/ Fagote, oboé/ Na madrugada uma forte batucada/ Hip hop e Reggae/ Seresta e Axé/ Barata que voa, borboleta azul/ Canta o garnisé, late o Pit Bull/ Triste acalanto de manhã/ Silvo de serpente, coaxar de rã/ Com sorriso de mulher/ Uma brisa leve, uma ventania/ Nuvem turbulenta, vaga em calmaria/ Dinheiro no banco, esmola na mão/ Zuela, mantra, penitência e oração/ Corpo bronzeado, sol no lajeado/ Fosco firmamento, céu em tom anil/ Rock Heavy Metal, samba de raiz/ Fogo de Morteiro, bala de fuzil/ Riqueza opulente, pobreza indecente/ Mesmo Assim eu amo meu país”.
Lazão e Bino, componentes do Grupo Cidade Negra, ouviram a criação dos sargentos e o Toni Garrido, solista da banda, disse que a melodia era dolente como um reggae e sugeriu uma fusão dos dois ritmos. Dito e feito, o produtor Mazzola vibrou e eu, mais ainda. Aí, tensos, chamamos o velho Sargento para dar o seu aval. O sambista tradicional ao ouvir a sua música fundida ao reggae, os seus olhos brilharam. Bateu palmas e todos nos abraçamos. Glórias ao grande Nelson Sargento, poeta, escritor, artista plástico!...
E autor de um dos mais lindos sambas de enredo da Mangueira, o antológico ‘Quatro Estações do Ano’: “Brilha no céu o astro-rei com fulguração/ Abrasando a terra, anunciando o verão/ Outono, estação singela e pura, é a pujança da natura dando frutos em profusão/ Inverno, chuva, geada e garoa/ Molhando a terra preciosa e tão boa/ Desponta a primavera triunfal!/ São as estações do ano num desfile magistral/ A primavera, matizada e viçosa pontilhada de amores/ Engalanada, majestosa.../ Desabrocham as flores nos campos, nos jardins e nos quintais/ A primavera é a estação dos vegetais/ Oh! primavera adorada, inspiradora de amores!/ Oh! primavera idolatrada!... Sublime estação das flores”. A expressão mais famosa do Nelson é “Samba... Agoniza mas não morre. Alguém sempre lhe socorre” e a que eu mas gosto é: ”O nosso amor é tão bonito... Ela finge que me ama e eu finjo que acredito”. Continências, mestre.

X CORRIDA DUQUE DE CAXIAS - BRASÍLIA


XXV CORRIDA DUQUE DE CAXIAS - INSCRIÇÕES ENCERRADAS


O IDOSO E O BALDE

Um velho senhor tinha um bonito lago na sua enorme propriedade.

Depois de algum tempo sem ir ao local, decidiu naquele dia dar uma
olhada geral para ver se estava tudo em ordem.

Pegou um balde para aproveitar o passeio e trazer umas frutas das
árvores pelo caminho, e ao se aproximar do lago, escutou vozes
femininas, animadas, divertidas...

Então viu um grupo de jovens mulheres a tomar banho no lago,
completamente nuas.

Chegou mais perto e, com isso, todas elas fugiram para a parte mais
funda do lago, deixando apenas a cabeça fora da água.

Uma das mulheres gritou:

-Não saímos daqui enquanto o senhor não for embora!

O velho respondeu:

- Calma moças, eu não vim até aqui para vê-las nadar ou para vê-las
sair nuas do lago!
Levantando o balde, ele disse:
-Eu só vim dar comida ao jacaré...

COLUNA CESAR ROMERO - 20.08.12


CORRIDA SOLIDÁRIA

Com o apoio do Exército, o Abrigo Santa Helena e a Alae vão comandar a praça de alimentação no Campus da UFJF, durante a 25ª Corrida Duque de Caxias. 
A prova será no próximo domingo, com a presença de muitos nomes-notícia que aderiram de vez às corridas.

Parabéns às Organizações Militares



- 8º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado (Porto Alegre/RS - 28 anos)


- 14º Regimento de Cavalaria Mecanizado (São Miguel do Oeste/SC - 170 anos)


- 2º Batalhão de Infantaria de Selva ( Belém/PA - 170 anos)


JUIZ DE FORA: MAIS DOIS ACIDENTES COM MOTOS, MAIS DOIS MORTOS.


Dois motociclistas morreram depois de se envolverem em acidentes entre o início da noite de domingo (19) e a manhã desta segunda-feira (20). 

No mais recente, uma pessoa que passava pela Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, na altura do Bairro Jóquei Clube, na Zona Norte, avistou a vítima caída na pista com muitos ferimentos. Ele relatou aos policiais que o condutor teria sofrido um capotamento. Flaviano José da Silva Neto, 28, não resistiu aos ferimentos e morreu. 

No dia anterior, por volta das 19h30, outro acidente terminou com a morte do motociclista. Desta vez, o acidente aconteceu no Centro da cidade quando, de acordo com a Polícia Militar, uma moto e um ônibus teriam se chocaram na Avenida Rio Branco. 

Uma equipe do Samu esteve no local e confirmou o óbito de Julio Cesar do Nascimento de Souza, 26. Os corpos foram removidos por empresas funerárias para o IML.

CARRO CAI NO RIO PARAIBUNA E TRÊS MORREM


Três pessoas morreram e outras três ficaram feridas, todos membros de uma mesma família, depois de o carro, Chevrolet Monza, sair da pista e cair no Rio Paraibuna, na noite de domingo (19). O acidente aconteceu na Estrada União Indústria e, de acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, entre o mortos estava uma criança de cinco anos. Uma das sobreviventes, 23, relatou aos policiais que o veículo teria caído de uma ribanceira com aproximadamente 30 metros de altura.
Duas vítimas foram resgatadas presas ao automóvel. Elas foram identificadas como Leonardo Ronam de Oliveira Almeida, 5 anos, e Naiane Alessandra de Oliveira Alves, 10 anos. A terceira, que se encontrava fora do veículo no momento do resgate, era Daniele Cristiane de Oliveira Alves, 23 anos. Todos foram socorridos com vida, mas morreram a caminho do hospital. O condutor, 47, teve ferimentos graves e foi internado no HPS inconsciente. As outras duas sobreviventes foram atendidas no mesmo hospital e liberadas em seguida.
A perícia esteve no local e realizou os levantamentos de praxe. Entretanto, não foi possível verificar a situação legal do automóvel e do condutor devido às circunstâncias do acidente e do estado clínico do motorista. Os corpos foram encaminhados ao IML.

25 DE AGOSTO - DIA DO SOLDADO


25 de agosto - Dia do Soldado- ABERTURA DO PANTHEON


Como parte das comemorações do Dia do Soldado, no período de 20 a 24 de agosto, o Pantheon de Caxias será aberto à visitação pública, das 10:00 às 16:30 horas.

O Pantheon é um mausoléu destinado a abrigar os restos mortais daquele que é considerado o exemplo do soldado brasileiro, o Marechal Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias. 

Durante esta semana, o público carioca terá oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a trajetória deste herói brasileiro, através de um acervo riquíssimo localizado na Praça da República, em frente ao Palácio Duque de Caxias.

7º DEPÓSITO DE SUPRIMENTOS - CONVITE


1ª USINA HIDROELÉTRICA - 123 ANOS DE LUZ


ARMAS EM FUNERAL, FALECIMENTO DO CEL CAV ARIUZUR


COMUNICAMOS


                                                        
                                              
                                            COM MUITO PESAR
                                                           
                                     O FALECIMENTO DO CORONEL DE CAV ARIUZUR 
                                                                                         
                             
                                                                                             
 
                                                                      
      
 

 
 
Nota de falecimento.
A Zero Hora do último dia 14.08 publicou a participação de falecimento do Cel Ariuzur Martins Pinto ocorrido em São Paulo no dia 10.08

 
                                                            
 

PROPAGANDA ELEITORAL GRATUITA COMEÇA NA TERÇA


domingo, 19 de agosto de 2012

XIX Caminhada Ecologica dos Fortes de Niterói é show



Domingo 19 de agosto de 2012, o 21º Grupo de Artilharia de Campanha recebeu em suas instalações aproximadamente oito mil participantes da XIX Caminhada Ecológica dos Fortes de Niterói. 
 Na entrada foram distribuídas camisas do evento a cada participante com varias atividades adjacentes ocorrendo antes do inicio da caminhada dentre elas pode-se receber orientações sobre saúde e aferir a pressão antes da subida.
Com total infra-estrutura quem prestigiou o evento pode contar com estacionamento privativo, banheiros e distribuição de água mineral durante toda a duração da caminhada. 
 Também foi recebido um total de três toneladas de alimentos não perecível, os quais foram distribuídos a instituições carentes da cidade de Niterói.  
No sítio histórico do Forte São Luis, eleito Patrimônio Histórico pela UNESCO em 2012, foram disponibilizados atividades de massoterapia, higiene bucal, orientação sobre prevenção de doenças como hipertensão e distribuição de sorvetes para refrescar o calor da subida, tudo isso com muita música ao vivo além do visual encantador da baia de Guanabara. 
 Na chegada a Fortaleza de Santa Cruz os participantes contaram com serviço de transporte para o retorno ao Forte Rio branco onde se encerrou o evento.

Em Marabá, general graduado assume problemas do Exército


Luna disse que as reportagens são verdadeiras, mas que as fontes, generais da reserva, estão desatualizadas quanto à realidade, e os investimentos já começaram a acontecer


Patrick Roberto

General Joaquim Silva e Luna, chefe
do Estado-Maior do Exército
O chefe do Estado Maior do Exército Brasileiro, general-de-exército Joaquim Silva e Luna, esteve nesta sexta-feira (17) em Marabá para a passagem de comando da 23ª Brigada e não escapou de perguntas sobre a precariedade da estrutura daquela força terrestre, denunciada nacionalmente pela imprensa. Luna disse que as reportagens são verdadeiras, mas que as fontes, generais da reserva, estão desatualizadas quanto à realidade, e os investimentos já começaram a acontecer nos últimos dois anos.

Entre outras coisas, a série de reportagens do portal G1, divulgou que o EB não teria munição suficiente para uma hora de guerra, que o armamento tem 35 anos, que os fuzis e blindados são das décadas de 1970 e 1980 e que a artilharia antiaérea parou no tempo, com alcance limitado.

Ao CORREIO DO TOCANTINS, o general respondeu: “Uma grande parte do material velho e obsoleto já está sendo substituído. A parte de armamento, viaturas de um modo geral, são situações que estão mudando, eu diria, rapidamente”.

Silva e Luna não fugiu das perguntas nesse sentido e nem criticou a reportagem ou as fontes desta, preferindo contemporizar quanto à atualidade das informações. “Essas informações divulgadas recentemente, algumas foram colhidas junto a oficias da reserva, que têm ainda uma visão de três, quatro anos atrás. Isso tem sido mudado. Tem havido um cuidado do governo, da sociedade, dos poderes e da nossa força”, garante.

Em seguida, o general-de-exército ainda afirmou que a Amazônia está nesse contexto e será contemplada com material e melhores condições. Uma das situações apontadas nas reportagens do G1 é de que o EB precisa investir em mais batalhões de fronteira e aprimorar o que já é feito para guarda dos 17 mil km de linha fronteiriça do Brasil com outros 10 países.
ESTRATÉGICA
Passagem de comando da 23ª Brigada de Infantaria de Selva
Sobre a unidade do Exército que ele veio visitar e que estava trocando de comando, o chefe do Estado Maior respondeu: “A 23ª Brigada é a mais importante brigada do Comando Militar da Amazônia, pela sua responsabilidade em área tão extensa e sensível do Brasil. Diria que é uma área que junto com o seu crescimento, pujante, traz consigo os conflitos naturais da organização. A presença do Exército aqui tem, entre outras razões, a de garantir a lei e a ordem”.

Tráfico não foi o único inimigo durante ocupações do Exército nas favelas


Rio -  Por pouco a atuação do Exército nos complexos do Alemão e da Penha não sofreu um baque desastroso para uma missão de ‘guerra’ durante os primeiros meses de ocupação.
Dois surtos, um de hepatite A e outro de dengue, deixaram parte da tropa doente e foi preciso repensar a logística de higiene no alojamento e na rotina nas comunidades.
A história faz parte de bastidores que pela primeira vez são contados sobre a ocupação dos militares nos conjuntos de favelas considerados o entreposto do tráfico no Rio.
Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia
Exército entra nos complexos | Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia
Por quatro meses, o assessor de imprensa do Comando Militar do Leste (CML), coronel Carlos Alberto de Lima, 62 anos, fez pesquisa, que reuniu relatos, leitura de correspondências trocadas entre governo do Estado e o Ministério da Defesa no momento de crise — quando a cidade vivia o inferno de ataques incendiários de traficantes — , e esmiuçou relatórios da inteligência da corporação.
O resultado é o livro ‘Os 583 dias da pacificação dos Complexos da Penha e do Alemão’, de 164 páginas. A obra reproduz os ofícios que vieram de Brasília e os que tinham os pedidos do governador Sérgio Cabral para a ajuda no Rio.
E traz uma cronologia que mostra que o cerco ao Alemão se fez 12 horas após o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizar a participação do Exército.
As estratégias dos militares, como fazer parceria com lideranças religiosas das comunidades para conseguir persuadir os eventos patrocinados por eles, aparecem no livro como ações que deram certo.
A percepção deles era tão minuciosa que traçaram o perfil dos moradores: enquanto no Alemão, as pessoas eram mais receptivas, dispostas a colaborar; os da Penha permaneciam retraídos, eram ríspidos e, em alguns casos, tinham admiração pelos bandidos.
- Detalhes
Ministro Jobim
No processo de elaboração dos documentos da Força de Pacificação, o então ministro Nelson Jobim sentou várias vezes na frente do computador para fazer, ele mesmo, modificações e sugestões necessárias, em virtude da urgência e pela sua experiência na área jurídica como ex-ministro do Superior Tribunal Militar.
Confusão em visita
Durante a visita do Príncipe Harry, membro da realeza britânica, os bandidos organizaram ações (tiros, garrafadas, pauladas, turbas, etc...) em seis pontos na Vila Cruzeiro. As confusões ocorreram num intervalo de 50 minutos.
Esse tipo de ocorrência no horário em questão não havia sido registrada durante a operação.
Lâmpadas do tráfico
Os ‘olheiros’ do tráfico faziam revezamento de 12 horas. Os militares conseguiram identificar gestos manuais que eles faziam para avisar sobre a presença da tropa em becos e vielas, por exemplo.
A iluminação pública também foi usada para dar o alerta aos marginais. Eles piscavam luzes ou apagavam. Conseguiam fazer isso porque havia ligação clandestina no sistema.
Malhação e religão
Para que a tropa ficasse motivada, foi montada academia de musculação na base, que ficou na antiga fábrica da Coca-Cola, para que pudessem malhar antes e depois do patrulhamento.
Outra estratégia foi oferecer equipe de assistência religiosa (com todos os segmentos) para conforto espiritual. Foi paga indenização para os militares que participaram da ocupação. O valor correspondia a 2% do soldo por dia trabalhado.
Óbito por leptospirose
Em 7 de fevereiro de 2011, soldado, do 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista (8° GAC Pqdt), morreu vítima de leptospirose. A principal suspeita é de que ele tenha sido contaminado nas favelas.
Tráfico e milícia
Levantamento dos militares estimou que haja cerca de 500 traficantes. Com a saída de vários bandidos da região, foram verificados indícios de disputa pelo domínio, por parte de milícias, de regiões antes ocupadas pelo tráfico.
Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Coronel Carlos Alberto de Lima dedicou quatro meses à pesquisa | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
“Aquilo lá era totalmente insalubre”
Carlos Alberto de Lima Assessor de imprensa do CM


1– O que mais chamou a atenção do senhor?
— Foi o recebimento da ordem de cerco do Complexo do Alemão, no dia 26 de novembro de 2010. A Brigada Paraquedista, com a Força Tarefa, ocupou os entornos dos complexos da Penha e do Alemão em 12 horas, sem reconhecimento e sem preparo específico.

2.Quando começaram os ataques do tráfico, antes da tomada do Alemão, o Exército se precaveu com receio de ações contra a tropa. Como foi?
— Dia 20, começaram os ataques, incêndios a carros e ônibus e o CML tinha que tomar precauções. Um: ficar preparado para se fosse chamado. Dois: proteger os nossos quartéis e a tropa.

Como tínhamos preparação para os 5º Jogos Mundiais Militares, e havia muito deslocamento na Av. Brasil, onde estavam acontecendo os ataques, o CML deixou a Brigada Paraquedista e 9ª Brigada de Infantaria de prontidão. Alguns trechos da Av. Brasil foram mobiliados com tropa para proteger as viaturas e os militares.
Quando o governo invadiu a Vila Cruzeiro e viu que a coisa era mais séria do que esperado, aí se pensou: vamos invadir o Complexo do Alemão, o que não estava previsto. Então, pediu ajuda ao Exército.

3 - Em que situação, inicialmente, estava a base onde os militares ficaram alojados?
— Aquilo lá era totalmente insalubre. O próprio Exército começou a trabalhar com material de engenharia e depois o governo entrou para fazer a base fixa da pacificação.

4 - Quer dizer que havia baratas, ratos...?
— Pela narrativa da pesquisa tinha de tudo... Muito lixo... O início da operação era um cenário de guerra: não havia instalações fixas nem água no local, a cozinha era totalmente improvisada.

5 - O militar que morreu de leptospirose pode ter se contaminado lá?
— Muito provável, porque o óbito veio depois que ele estava atuando.

Denuncia de maquiagem dos Registros de Eventos de Defesa Social (Reds, o antigo BO) em Juiz de Fora


Policiais militares de Juiz de Fora relatam sofrer pressão por parte de superiores para mascarar a natureza das ocorrências, de forma a reduzir as estatísticas de crimes violentos. A maquiagem dos Registros de Eventos de Defesa Social (Reds, o antigo BO) vem sendo denunciada pela Tribuna há dois anos. Agora, pela primeira vez, militares se dispuseram a revelar o esquema: "Há uma pressão psicológica muito grande para que as naturezas sejam mudadas. O policial sabe que a ela não corresponde àquele crime, mas se vê obrigado a registrar da forma errada, sob pena de sofrer represálias", denuncia um PM lotado no 2º Batalhão, responsável pelo Centro e regiões Leste, Sudeste e Nordeste. Outro militar, este do 27º Batalhão, responsável pela zonas Sul, Norte e Cidade Alta, detalha o procedimento: "Você está de serviço, na viatura ou no posto policial, e se depara com uma vítima que relata ter sido roubada. Ela diz que o cidadão apontou a arma e exigiu o dinheiro. Roubo, certo? Não. Você passa a situação, via rádio, para a CPU (Coordenação de Policiamento da Unidade) ou para o oficial, e este determina que você registre como extorsão."
Esta situação do roubo à mão armada registrado como extorsão é mais comum porque este crime não integra o Índice de Criminalidade Violenta (ICV), elaborado pelo Estado e apresentado à sociedade como forma de medir a violência. Pelo mesmo motivo, também há casos de tentativa de homicídio sendo tratados como lesão corporal e homicídio consumado sob a alcunha de encontro de cadáver. As pressões pela maquiagem de BO teriam quatro origens: as companhias, os batalhões, o Centro de Operações da PM (Copom) e a CPU. "São várias as forças que tentam encobrir os registros", reforça o policial do 2º Batalhão.
Além de refletir na queda do ICV, o mascaramento dos BOs teria como objetivo o recebimento do prêmio por produtividade, oferecido pelo Governo do estado aos funcionários públicos que atingem as metas estabelecidas pela política de Acordo de Resultados. "Esse valor geralmente é pago em outubro e representa cerca de 80% do salário do militar. Para a PM, o que gera o prêmio é a redução do ICV e o aumento de apreensões de armas de fogo e de operações", diz um dos PMs.
Revoltados, os militares, que já lidam com a falta de estrutura e baixos salários pagos às patentes inferiores, enxergam, no mascaramento dos Reds, mais um desestímulo à atividade policial. "Muitos estão indignados pela forma como isso tem acontecido. Afinal, quem assina o BO, ou seja, o responsável pela ocorrência, é o PM que está na rua e não quem determinou que a maquiagem seja feita." 
PM nega orientação
Em nota, a assessoria de comunicação da 4ª Região da PM (RPM) afirma desconhecer e abominar qualquer orientação para mascarar ocorrências, e garante: "o preenchimento do Reds é de total responsabilidade do militar empenhado e, cabe a ele, mediante sua análise do fato em concreto, estabelecer a natureza da ocorrência atendida, devendo se valer da Diretriz Auxiliar de Operações, documento doutrinário da corporação, que orienta a devida codificação de acordo com o enunciado do diploma legal correspondente". 
Nova metodologia
Este ano, o Governo estadual mudou a metodologia do ICV. Atualmente, consideram-se crimes violentos os homicídios tentado e consumado, o roubo, o sequestro ou cárcere privado, os estupros tentado e consumado, além da extorsão mediante sequestro. Curioso é que, em Juiz de Fora, os dados oficiais, em geral, apontam queda da criminalidade. Entre 2010 e 2011, por exemplo, o ICV caiu 9,6% no município, ao passo que, em Minas Gerais, aumentou 10,8%, segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). Na última quarta-feira, a 4ª RPM informou que o número de crimes violentos em Juiz de Fora caiu de 618 para 542, nos sete primeiros meses deste ano, comparados com o mesmo período de 2011.

Informações desencontradas nos boletins

Durante um mês, a Tribuna investigou centenas de boletins de ocorrência elaborados pela PM e descobriu que uma das mortes mais brutais e de maior repercussão em Juiz de Fora este ano não entrou oficialmente nos dados de criminalidade violenta. Isso porque o Reds nº 807686, que registrou o assassinato da ex-professora Ana Esther Scheffer, 78 anos, no Bairro São Pedro, foi classificado como encontro de cadáver. Chama atenção que a própria ocorrência apontou o nome de um dos suspeitos pela morte (ver fac-símile 1). A idosa foi encontrada com uma televisão sobre o rosto. Os dois suspeitos foram presos pela Polícia Civil menos de 24 horas após o crime. Além de matar a idosa, eles roubaram joias, dinheiro e um cartão do banco.
No levantamento, a reportagem também encontrou dezenas de casos de assalto a mão armada tipificados como extorsão. No dia 3 de abril, por exemplo, três entregadores de bebida tiveram cerca de R$ 600 levados por dois bandidos, enquanto os trabalhadores faziam uma entrega na Rua Hortogamini dos Reis, na Vila Olavo Costa. No Reds nº 689905 (ver fac-símile 2), o policial militar relata que um dos suspeitos de cometer o crime "anunciou o assalto" e ordenou que os três entregassem todo o dinheiro. Embora a própria ocorrência informe a ação do assalto, a natureza do registro foi tipificada como extorsão.
Já no dia 11 de julho, uma funcionária de uma banca de jornal na Rua Oscar Vidal, no Centro, foi rendida por um assaltante armado com revólver. Apontando a arma para ela, o homem a obrigou a entregar todo o dinheiro do caixa, cerca de R$ 2 mil, e fugiu. Desesperada, a jovem de 20 anos pegou o celular e ligou para a mãe, momento em que o assaltante voltou e apontou a arma em direção ao rosto da funcionária, obrigando-a, desta vez, a entregar o aparelho telefônico. Conforme o Reds nº 1420783 (ver fac-símile 3), o bandido "perguntou se ela queria morrer". O caso foi tido oficialmente como extorsão, embora aproxime-se mais de um assalto à mão armada.
Ainda em julho, desta vez no dia 14, um rapaz de 22 anos foi violentamente atacado, na Rua A do Bairro Jardim Casablanca, na Cidade Alta. Conforme o Reds nº 1446066 (ver fac-símile 4), a vítima foi encaminhada desacordada ao HPS, "sendo diagnosticados afundamento de crânio, edema cerebral, pneumoencéfalo, feridas corto-contusas no maxilar e cabeça, e escoriações secundárias em todo o corpo, sendo medicada e permanecendo internada na UTI em estado grave". O que seria uma tentativa de homicídio foi tipificada como lesão corporal. A gravidade das pancadas foi tanta que a vítima continuava internada no HPS até o início deste mês.

Exemplos de equívocos se multiplicam

Os possíveis equívocos na classificação de ocorrências são evidenciados quando os casos são encaminhados para a Polícia Civil, que costuma corrigir a natureza do crime. No último dia 31 de julho, o corpo de um homem de 26 anos foi encontrado queimado e enterrado em um terreno no Bairro Sagrado Coração de Jesus, Zona Sul. Apesar de a própria situação já sugerir um homicídio - uma pessoa, por si só, não conseguiria colocar fogo em si mesma e depois se enterrar -, o caso foi registrado como encontro de cadáver. A 1ª Delegacia Distrital tenta descobrir a autoria do assassinato.
Em outro caso, registrado no dia 1º de agosto, um homem de 37 anos agrediu violentamente a mulher, 21, no Parque Independência. A Delegacia de Orientação e Proteção à Família abriu inquérito para apurar a tentativa de homicídio, embora a ocorrência tenha sido registrada, pela PM, como lesão corporal. A mesma natureza foi escolhida para classificar outro crime registrado no mesmo dia: em processo de separação conjugal, uma mulher de 23 ateou fogo na própria casa, com o marido dentro, em Benfica, Zona Norte. Após o homem conseguir escapar, ela ainda conseguiu jogar álcool no corpo do marido e novamente atear fogo.

Especialista alerta para indício de erro

A pedido da Tribuna, o coordenador do Centro de Pesquisa em Segurança Pública (Cepesp) da PUC Minas e ex-secretário de Defesa Social Luis Flávio Sapori analisou algumas ocorrências e concluiu que "são casos flagrantes de maquiagem do Reds, especialmente aqueles envolvendo extorsão, nítidos casos de roubos à mão armada". No início do ano, em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o especialista já havia alertado os deputados estaduais da Comissão de Segurança Pública e Direitos Humanos sobre os "indícios seríssimos" de que as informações sobre a violência no estado estariam sendo manipuladas. Sapori ainda sugeriu auditoria externa nos dados, o que foi protocolado pelos parlamentares, mas ainda não ocorreu.
Na mesma audiência, o integrante da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas (Aspra), Luiz Gonzaga Ribeiro, afirmou categoricamente haver orientação dos comandantes para que os policiais subnotificassem casos de violência. Os militares que se recusassem recebiam processo disciplinar e tinham a avaliação de desempenho prejudicada.
Procurada pela Tribuna, a Aspra diz que não tem mais recebido informação de subnotificação. "Denúncias podem ser enviadas pelo e-mail ouvidoria@aspra.org.br", recomenda o presidente da entidade, Raimundo Nonato Meneses Araújo.

'Não há punições'
Conforme o comunicado da 4ª RPM, "não há registros de nosso conhecimento, que comprovem alteração por meio de intervenções, sejam elas do Centro de Operações (Copom) ou do oficial da Coordenação de Policiamento da Unidade (CPU), e, em consequência, não foram levantadas punições, devendo se deixar claro que qualquer notícia nesse sentido, por imperioso compromisso com o princípio da transparência, deve ser levado ao conhecimento deste comando, que determinará incontinente a devida apuração para determinar responsabilidades e efetuar a devida correição".
Por fim, a 4ªRPM alegou que "ao citar que o Índice de Criminalidade Violenta (ICV) se vale para consolidação das estatísticas dos homicídios (consumados e tentados), roubos, sequestros (consumados e tentados), além dos latrocínios (homicídios seguidos de roubo), o registro inicial da ocorrência não influi nos números: o resultado final parte do Centro Integrado de Informações do Sistema de Defesa Social (Cinds), que une os diferentes bancos de dados e elimina duplicidades e inconsistências. Após análise dessas informações é que se tem a fonte oficial de estatísticas de Minas Gerais".